CURRÍCULO CULTURAL-Ademir Francisco de Souza (Ademir de Souza)

"A cultura está presente em todas as situações que vivenciamos" No ambiente familiar, escolar, religioso, esportivo, profissional e social, desde cedo, aprendi a observar atentamente os acontecimentos ao meu redor, procurando compreender as pessoas, seus costumes e suas formas de expressão. Meus irmãos comentavam frequentemente sobre as habilidades do nosso pai como cavaquinhista e palhaço nas Folias de Reis, ainda criança, entre os três e cinco anos de idade, eu me encantava ao ouvir os tenores cantando no coral da Igreja Presbiteriana. Na casa de minha irmã, quase todos os finais de semana aconteciam reuniões musicais, Violão, Cavaquinho, Pandeiro e vozes se misturavam numa verdadeira bagunça organizada, um autêntico sarau musical familiar, aqueles encontros despertaram em mim o interesse pela música e pela convivência artística. Aos quatorze anos, quando estudava em colégio interno, fui selecionado para cantar no coro da Igreja Católica como sempre fui muito observador, fui acumulando conhecimentos e experiências de todas essas situações vividas. Nasci na região da Cismaria, zona rural de Bom Jesus do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro. Cresci em São Gonçalo RJ. e, dos doze aos dezessete anos, estive internado no Aprendizado Agrícola de Sacra Família, localizado no distrito de Sacra Família, município de Paulo de Frontin RJ. Posteriormente, veio a convivência com o mundo do trabalho. Primeiro nas empresas da construção civil e, mais tarde, atuando como trabalhador autônomo. Essa trajetória permitiu-me conviver com clientes e pessoas de diversas camadas sociais, ampliando minha visão sobre a sociedade brasileira. Por volta dos vinte anos de idade, minha irmã mantinha um centro espírita de umbanda. Fui convidado para assumir a presidência da instituição, por ser o único adulto alfabetizado da família naquele momento, essa experiência contribuiu significativamente para ampliar minha compreensão das manifestações religiosas e culturais do povo brasileiro. Assim foi se formando minha consciência cultural, pois compreendi que todos os movimentos da sociedade têm origem nos costumes, tradições e valores construídos ao longo do tempo. Chegou então o momento de aprofundar meus conhecimentos, essa oportunidade surgiu quando me envolvi profissionalmente com a música, gravando minhas composições e ampliando minha participação no meio artístico e cultural. Ao longo dessa caminhada, fui convidado a participar de cursos, palestras e atividades promovidas por diversas instituições sociais, governamentais e culturais, entre elas o Instituto Histórico e Geográfico de Niterói e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Niterói, onde moro desde o ano de 1997. Assim como a 4ª Conferência Estadual de Cultura do Rio de Janeiro nos dias 30 e 31 de agosto de 2018 na Biblioteca Parque Estadual. Entre todas as experiências culturais que vivi, uma possui um significado especial e histórico em minha trajetória: Cito a participação na Maratona Cultural de Bom Jesus do Itabapoana minha terra natal. Naquele momento, eu não imaginava que o ponto de encontro seria a Fazenda Mattinhos, ao chegar no local, descobri que ali haviam vivido meus avós paternos, foi um encontro emocionante com minhas próprias raízes familiares, nesse momento povoou minha memória as lembranças das conversas dos meus irmãos mais velhos de que nosso avô era ex escravo e a nossa avó índia pega no laço, e viveram ali. Meu pai, Antônio Francisco de Souza, viveu parte de sua história naquela região, assim como meus avós, Antônio Samuel de Souza e Maria Minervina de Jesus. A visita à Fazenda Mattinhos transformou-se em muito mais do que um evento cultural, tornou-se um reencontro com minha ancestralidade, fortalecendo minha compreensão sobre a importância da memória, da identidade e da preservação da história familiar. Hoje compreendo que minha formação cultural não aconteceu apenas nos livros, nos cursos ou nos palcos, ela foi construída ao longo da vida, por meio das pessoas que conheci, dos lugares por onde passei, das experiências que vivi e das raízes que jamais abandonei. De importância sem igual foi a convivência nos blocos de carnaval e nas escolas de samba, por lazer, e compondo sambas de enredo para concorrer nas eliminatórias anuais, o conteúdo da sinopse sempre recheado de histórias culturais e costumes populares, beber nessa fonte trouxe-me cancha para produzir e disseminar cultura, e entendimento para valorizar ainda mais. Períodos de indagações internas, aconteceram-me, o porquê de um trabalho artístico não ter um reconhecimento imediato, passados esses momentos, que por bem foram raros, voltava a idealizar novos projetos, compor novas músicas e divulgar, hoje muitos deles estão por aí, já até perdi o pé, na internet, nos espaços culturais, bibliotecas, e na boca do povo. Ah! Que delícia, quando vem o reconhecimento, quando se revê os diplomas os certificados, mais ainda quando tense a certeza de que a arte produzida ganhou o mundo, não mais pertence só ao artista, e passa a integrar o universo da cultura. Ademir Francisco de Souza (Ademir de Souza) Compositor, cantor, escritor, músico, "ARTES".

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